Essa passagem de Marcos 4:35-41 ocorre ainda no início do ministério de Jesus, mas já após Ele ter ensinado e realizado muitos milagres.
Podemos citar ao menos sete ocasiões em que Jesus havia realizado milagres até aquele momento:
1 – Expulsão de um Espírito Imundo na Sinagoga de Cafarnaum
Marcos 1:21-28
Jesus repreende um espírito impuro que havia possuído um homem dentro da sinagoga. O povo se admira de Sua autoridade, tanto no ensino quanto sobre os espíritos malignos.
2 – Cura da Sogra de Pedro
Marcos 1:29-31
Jesus cura a febre da sogra de Pedro simplesmente ao segurar sua mão. Um milagre doméstico e compassivo que revela Sua atenção aos detalhes da vida cotidiana.
3 – Curas e Libertações Coletivas
Marcos 1:32-34
Naquela mesma noite, após o pôr do sol, muitos doentes e endemoninhados foram levados até Jesus. Ele cura a muitos e expulsa diversos demônios.
4 – Cura de um Leproso
Marcos 1:40-45
Um homem com lepra se aproxima e pede para ser purificado. Movido de compaixão, Jesus o toca e o cura — um ato ousado, já que tocar um leproso era proibido pela Lei.
5 – Cura de um Paralítico Trazido por Quatro Amigos
Marcos 2:1-12
Jesus, diante da fé dos amigos, primeiro perdoa os pecados do paralítico — o que escandaliza os escribas — e depois o cura fisicamente. Um milagre que reafirma Sua autoridade espiritual e física.
6 – Cura do Homem da Mão Ressequida
Marcos 3:1-6
Jesus cura a mão atrofiada de um homem em pleno sábado, desafiando a rigidez dos fariseus e afirmando o valor da misericórdia acima das tradições humanas.
7 – Muitas Curas Junto ao Mar da Galileia
Marcos 3:7-12
Multidões se aglomeram ao redor de Jesus, e Ele cura muitos enfermos. Os espíritos imundos o reconhecem como o Filho de Deus, mas Ele os proíbe de falar.
Como os Milagres Afetaram os Discípulos?
Os discípulos tiveram o privilégio de acompanhar pessoas sendo curadas e vidas sendo libertas do poder das trevas…
Mas que mudança ou impacto isso estava causando na vida daqueles homens?
Ao final de um dia de ministério, depois de ensinar várias parábolas, Jesus pede aos discípulos que atravessem para a outra margem do mar da Galileia.
Eles entram no barco, e outros barcos os acompanham. Tudo parecia bem.
Era uma tarde comum, como tantas outras. Mas, de repente, tudo mudou.
Um grande temporal se levanta, ondas se formam e começam a inundar o barco em que estavam.
Os discípulos, que até então eram apenas espectadores dos problemas alheios…
Agora se veem diante de uma grande provação.
Certamente, não era a primeira vez que aqueles homens faziam uma travessia como essa.
Além disso, sabemos que Pedro, André, Tiago e João eram pescadores experientes. Ou seja, essa provação ocorre justamente em um ambiente familiar para eles.
Tudo o que haviam vivido até aquele momento já era suficiente para que dessem um passo de fé.
Mas Como Eles Reagiram?
Todos estavam com medo, tomados pela incredulidade.
E mais: acordaram Jesus e o questionaram se Ele se importava com o que estava acontecendo.
“O Senhor não se importa que morramos?”
(E isso nos faz lembrar de quantas vezes questionamos a Deus quando as coisas não caminham conforme a nossa vontade…)
Jesus se levanta, repreende o vento — e tudo se acalma. Em seguida, questiona os discípulos:
“Por que estão com tanto medo? Como ainda não têm fé?”
Ao ver como Jesus falou com o vento — com a mesma autoridade com que já havia expulsado demônios —, eles ficaram ainda mais atônitos.
E perguntavam entre si:
“Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?”
Aplicação
Irmãos, acredito que não precisamos perguntar se agimos, ou continuamos agindo, da mesma forma que os discípulos.
Esse texto apresenta quatro perguntas claras, mas muitas outras precisam ser feitas — e respondidas:
1 – Nós ainda somos apenas espectadores? 2 – Quantas tempestades Jesus terá que repreender até que tomemos uma posição de fé e ajamos como verdadeiros discípulos?
Felizmente, nesta história, o Senhor Jesus demonstra Seu poder. Ele faz o bem mesmo quando ainda não temos a fé que Ele espera de nós.
As próprias perguntas que Ele faz contêm as respostas para nossas preocupações.
Se tivermos fé, não sentiremos medo quando as tempestades surgirem.
Quando cremos, percebemos que Ele está conosco no barco.
Ele vai repreender o vento e a tempestade — no tempo e da maneira d’Ele.
Conclusão
A pergunta que os discípulos faziam entre si — “Quem é este?” — era uma dúvida real naquele momento.
Mas hoje, para nós, essa pergunta é apenas retórica, pois já conhecemos a resposta:
“Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” Este homem é Jesus, o Filho de Deus! Louvado seja o Seu nome!
Amém e amém!