Deus Fala, Aparece e Desce sobre Balaão

É comum nos depararmos com pessoas que tentam restringir a maneira como Deus age e fala com seu povo (ou de forma individual). Porém, as Escrituras Sagradas nos mostram que nada e ninguém pode limitar o nosso Senhor.

Podemos vislumbrar o agir de Deus entre os capítulos 22 e 24 do livro de Números, em que a Trindade interage com o falso profeta Balaão. E não só isso: o falso profeta proclama inúmeras verdades sobre o povo de Israel.

Contexto de Números 22-24

Israel acabara de derrotar Seom e Ogue, e acampava nas planícies de Moabe, prestes a entrar na Terra Prometida.

Balaque, rei de Moabe, vendo a multidão e temendo o mesmo destino dos vizinhos, envia mensageiros a Balaão — um adivinho conhecido na região — oferecendo-lhe honras e recompensa para que viesse amaldiçoar o povo.

Balaão tenta, por três vezes, pronunciar a maldição que Balaque lhe paga para proferir. E, por três vezes, o Senhor coloca em sua boca uma bênção sobre Israel — culminando em um quarto oráculo que aponta para um cetro que se levantará de Jacó (Nm 24:17).

O capítulo da jumenta (Nm 22:21-35) está no meio do caminho: literal e teologicamente, é o Senhor barrando o profeta antes mesmo de ele chegar a Moabe.

Deus agindo (mesmo) por um falso profeta

Lemos em Números 22:20 que o Senhor aparece em sonho a Balaão e diz que ele deve seguir viagem com os homens enviados por Balaque, mas com uma condição inegociável: ele deveria fazer somente aquilo que o Senhor lhe dissesse.

Na perícope da Jumenta de Balaão, vemos o Anjo do Senhor (Nm 22:35) no caminho de Balaão. Ele traz a mesma mensagem que o próprio Senhor havia dado em Números 22:20.

Contudo, esse Anjo do Senhor não apenas possui a mesma mensagem; Ele fala como se a mensagem fosse essencialmente Sua, expressando-se com autoridade divina: “… mas fala somente aquilo que EU te mandar”.

Balaão já havia abençoado Israel por duas vezes. Posteriormente, em Números 24:2, o Espírito de Deus veio sobre ele. Assim, Balaão abençoou Israel mais uma vez, reiterando as promessas soberanas feitas a Abraão.

O capítulo 23 declara que o Senhor, o seu Deus, está com Israel, e que no meio deles se ouvem aclamações a um REI (Nm 23:21). Além disso, Israel, o “filho primogênito” de Deus, ergue-se como um LEÃO (Nm 23:24).

Portanto, essas três interações divinas — com aspectos implícitos e explícitos — nos mostram que Deus pode (segundo sua vontade e propósito) usar pessoas improváveis para proclamar a verdade e executar seus planos.

E quero ser muito claro: a questão não é defender que possamos levar a nossa vida de qualquer maneira, pois de um jeito ou de outro, “Deus vai me usar”.

Pelo contrário, esse episódio de Números mostra a providência soberana do Senhor: Ele age de diversos modos — os quais, muitas vezes, não entendemos — e governa até a boca dos que não O conhecem para cumprir Seus propósitos.

A questão principal está no fato de que Ele estava cuidando e guiando seu povo no deserto, depois do êxodo do Egito, e mesmo com inúmeros problemas (por infidelidade do povo), o Senhor os conduziu até a terra prometida.

Conclusão

Aleluia! O Senhor está em meio ao Seu povo, e o nosso Rei ergue-se como um Leão. Diferentemente de Balaão — que foi apenas um instrumento temporário e sem um coração regenerado —, nós temos a habitação permanente do Espírito de Deus.

O Novo Testamento três vezes volta a Balaão — sempre como advertência: o “caminho de Balaão” (2Pe 2:15), o “erro de Balaão” (Jd 11) e a “doutrina de Balaão” (Ap 2:14).

Coerente com isso, o próprio livro de Números registra que Balaão morre pela espada, ao lado dos reis de Midiã (Nm 31:8). Ele profetizou verdade, mas não pertencia ao Senhor — e o seu fim revela o que o seu coração sempre foi.

Por isso, não somos apenas “usados” para proferir palavras, mas fomos transformados para produzir o fruto do Espírito (Gl 5:22-23) e capacitados para a evangelização.

E é por isso que seremos testemunhas fiéis do Evangelho para abençoar nossa família, amigos e todos aqueles que o Senhor deseja alcançar com a salvação, conforme a promessa de Atos 1:8.

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