Evangelho do Dia
Devocionais ACF (Almeida Corrigida Fiel) 3 min de leitura

Devocional de Efésios 4:32 — O Perdão Não Começa em Você

Devocional de Efésios 4:32. Perdoar faz bem a quem perdoa, mas não é esse o motivo que Paulo dá. O texto aponta para outro lugar — e para outra medida.

Diego Soares
Diego Soares
Atualizado em 3 de setembro de 2026
Ilustração para o artigo Devocional de Efésios 4:32 — O Perdão Não Começa em Você

“Perdoar é um presente que você dá a si mesmo.” A frase circula em legenda de rede social, em consultório e em púlpito.

E ela tem razão no que afirma. A mágoa guardada adoece mesmo: tira o sono, encurta a conversa, contamina relações que nada tinham a ver com a ofensa.

O problema é que ela responde a uma pergunta diferente da que a Bíblia responde. Ela explica o benefício do perdão. Paulo explica a origem dele.

“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Efésios 4:32

A frase começa com “antes”

Essa palavra é uma dobradiça. Ela liga o versículo a outro, imediatamente anterior, que quase nunca aparece junto:

“Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós” (Efésios 4:31).

Primeiro Paulo manda tirar. Depois manda pôr. São dois movimentos da mesma ordem, e o segundo não funciona sem o primeiro.

Vale reparar na lista do que sai: amargura, ira, cólera, gritaria, maledicência. Nada ali é escândalo público. São coisas de convivência — de igreja, de casa, de mesa de domingo.

O versículo 30 explica por que isso importa tanto

Um passo antes ainda, Paulo escreve algo desproporcional para quem acha que rancor é assunto pequeno:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30).

A amargura entristece o Espírito Santo.1 E essa é a razão pela qual o mandamento aparece no meio de instruções sobre a boca, o trabalho e a raiva — a vida comum de uma comunidade.

E a raiz da atitude amargurada é específica: a incapacidade de perdoar.1 Não é temperamento. É uma conta em aberto.

“Benigno” é palavra de uso, não de sentimento

O termo grego traduzido por benignos (chrēstos) descreve o que é útil, prestável, que serve. É a palavra que se usaria para uma ferramenta boa.

As traduções modernas trazem “bondosos e compassivos”. As duas leituras se somam: bondade que se sente e bondade que se usa.

Isso tira o perdão do terreno da emoção. Ninguém precisa sentir vontade para ser útil a alguém. Precisa decidir.

A medida está no fim da frase

O versículo não termina em “perdoando-vos uns aos outros”. Termina em “como também Deus vos perdoou em Cristo”.

Aquele “como” é a régua. Ele responde às três perguntas que aparecem na hora de perdoar:

  • Quanto? Tanto quanto fui perdoado;
  • Até quando? Enquanto Deus me suportou — e Ele ainda suporta;
  • E se a pessoa não merecer? Essa pergunta já foi respondida na cruz, onde eu também não merecia.

O perdão, portanto, não começa em nós. Começa num perdão recebido antes, que já custou o preço a quem o deu.

A frase da legenda promete alívio. Paulo promete algo maior e mais exigente: parecer-se com quem nos perdoou primeiro.

Senhor, faz de nós uns para com os outros aquilo que o Senhor foi conosco em Cristo — benignos onde queríamos ser duros, misericordiosos onde temos razão, e capazes de soltar a conta que ainda estamos cobrando.

Fique na paz!

Fontes

  1. As citações seguem a Almeida Corrigida Fiel (ACF).
  2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. II. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 55.
Tags: #Efésios #Perdão #Graça #Relacionamentos

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